Georgina Caçador
Nascida num dia quente e seco de Julho de 1963. A guerra estava ao rubro, Salazar no poder.
A infância foi como a de todos. Sem livros, mas com histórias contadas pelos avós, sem brinquedos mas com espaço para sonhar.Com o pouco que era de todos.
Estudei a té ao 11º ano. Na altura já não existia mais na minha terra.
Casei, fui para lisboa, tive 5 filhos, dois estão vivos. Divorciei-me e voltei á povoação onde nasci, á procura de qualidade de vida para criar os meus filhos.
Fiz formação profissional e o 12º ano. Entrei na Universidade Aberta, no curso de História.
Sou costureira, modelista, e costureira de têxteis decorativos, certificada pelo extinto CIVEC.
Trabalho, amo, choro, rio-me de mim, da vida, para a vida. Enfim, vivo.
Escrevi o primeiro poema com 12 anos. Uma noite de temporal que me agredia a sensibilidade. Depois nunca mais parei.
No tempo que vivi em Lisboa escrevi um poema. Demorei 14 anos a escrevê-lo e terminá-lo. Foi uma loucura.
Percebi que não escrever é terrível. É renegar um sopro de vida que faz a diferença no todo.
Agora escrevo porque gosto, porque brincar com as palavras me dá prazer.
Vários poemas publicados em Antologias em Portugal e no Brasil.
Por publicar ficam mais três livros de poesia, um de crónicas, dois contos infantis. ? Ecos da Charneca?, é o último livro que está em acabamento.
Esta, sou eu.
Georgina Caçador
Sus libros

VIVEIRO DE PALAVRAS
Durante mais de dez anos procurei publicar o meu primeiro livro. Aquele que escrevi ao longo de toda a minha vida. O primeiro a ser registado. No entanto, tenho de reconhecer que todos os meus esforços fracassaram. Depois de tantos anos e completamente desiludida, desisti de o publicar. Com dois livros registados no I.G.A.C., um conto infantil escrito, um livro de crónicas e um outro, que não está ainda terminado, eu acreditava que se tinha de publicar seria sempre pelo princípio. Depois da decisão de não o fazer, uma onda de criatividade e vontade inundou-me de maneira indescritível. Nem sequer foram os poemas que eu mais amei. Nem sequer foram os mais trabalhados, mas eu deixei-os ficar como eles apareceram e foram escritos. Muitas vezes em guardanapos de papel. Alguns em papel da máquina de comprovativo de entrega da lavandaria onde trabalhava. Tive momentos em que escrevi nas casas de banho e claro que o papel era o que existia. Alguns foram escritos com o carro parado na beira da estrada. Alucinadamente, as palavras entraram e saíram de mim, como plantas de um viveiro para transplantar. Da mesma maneira que as palavras me inundavam, também a minha vida se desenvolvia e conspirava para a concretização da publicação deste livro, que eu percebi imediatamente ter de ser o primeiro. Não poderia ter outro título. “Viveiro de Palavras” é o livro que a vida me deu em semente e que eu espero ver crescer e florescer nas mentes e nos vossos corações de quem o ler.

PORTUGAL A DOIS TEMPOS
Gosto de ler e escrever. Aquilo que escrevo tem de estar perfeito para mim. Se mais alguém gostar, então eu já iniciei a ganhar com o que escrevi. Essa é a minha recompensa. Aquilo que faço gostar. Também gosto de ler. Existem autores que gostam de escrever com mensagem. É bonito e faz-me perceber que têm conhecimento para si e ainda para ensinar aos demais, o que me deixa muito feliz. Eu não faço isso. Não faço. Assim, escrevi crónicas da minha vida ou da vida que vi viver ao redor, com a naturalidade e simplicidade que me são inerentes. Aquilo que desejo é que quem ler não se fique pelo que lê e perceba o que ficou subjetivo no que foi dito e citado. Que pense pela sua própria cabeça todo um mundo que existe ao redor das minhas palavras. É um desejo muito forte e muito sentido, pois sei que o leitor só irá perceber o título deste livro se fizer esse exercício maravilhoso, que é pensar. Ir além das aparências das minhas palavras e colocar na leitura uma parte de si mesmo. Sentir tanto prazer na leitura como eu tive na escrita. Sentir os meus sentimentos, os meus cheiros, as minhas tristezas e revoltas. Tudo, como se fosse seu. Eu não sei enviar mensagens, mas acredito que posso transmitir bons momentos, com boas leituras. Que Portugal a Dois Tempos alcance o meu e vosso objetivo. Georgina Caçador

ÁGUA PÉ, CASTANHAS E LETRAS
Provérbios populares sobre o S. Martinho No dia de S. Martinho, vai à adega e prova o vinho. No dia de S. Martinho, castanhas, pão e vinho. Dia de S. Martinho, lume, castanhas e vinho. Pelo S. Martinho, todo o mosto é bom vinho.

SENTIDOS DESPERTOS
Ser Poeta Ser poeta é ser mais alto, é ser maior Do que os homens! Morder como quem beija! É ser mendigo e dar como quem seja Rei do Reino de Aquém e de Além Dor! É ter de mil desejos o esplendor E não saber sequer que se deseja! É ter cá dentro um astro que flameja, É ter garras e asas de condor! É ter fome, é ter sede de Infinito! Por elmo, as manhãs de oiro e cetim… É condensar o mundo num só grito! E é amar-te, assim, perdidamente… É seres alma e sangue e vida em mim E dizê-lo cantando a toda a gente! (Florbela Espanca, «Charneca em Flor», in «Poesia Completa»)
