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Inês Maomé

Nascida há meio seculo, é farmacêutica pela UC. Com fama de extrovertida (um disfarce), é profunda em tudo o que sente e rasa em tudo o que faz. Mãe zelosa e atenta, ama a sua família, os amigos. Acredita que a força do amor e da amizade podem mudar o mundo. Gosta de dançar! E não mente!
Sempre escreveu cartas de amor em folhas soltas, por gostar. Hoje escreve sobre o que gosta, como gosta, para quem quiser gostar com ela (e dela).
Escreveu os romances Aqui Vai o Lenço, na 2ª edição, Mulheres Singulares, Aqui Fica o Lenço. De poesia escreveu: Em Carne Viva, Nua sob a Lua e Quadro Interior.
Em 2015 lançou o romance Vozes do Destino. De seguida Ninguém Merece, pela Editora Edições Vieira da Silva, este sobre a violência doméstica, com a parceria da APAV.
A autora é também pintora. Ama o roçar dos pincéis na tela, o cheiro dos óleos inebria-a e como as palavras, fá-la esquecer o tempo.
Tem dois blogs, ?criada de servir? e o ?o saco de nozes?, onde escreve http://osacodenozes.blogspot.pt/ .
Tem ainda o ?Blogue oficial da autora Inês Maomé? https://inesmaome.wordpress.com/

Sus libros

A VERDADE NO AMOR

A VERDADE NO AMOR

FICCIÓN Y TEMAS AFINES308 pág.ISBN 9789897366154

Vê-la assim, em roupa íntima, foi o suficiente para Alberto se aproximar e começar, como era seu hábito, por um abraço, envolvendo-a, e depois, com mil carícias e beijos e outras meiguices, atraí-la, até que Camila perdeu o controlo completo de si, deixando-se cingir num doce enlevo, perdendo-se naquele bem-querer, como se aquele fosse o último dia da sua vida. Bastava uma mão de Alberto tocar o seu corpo, que ela tremia, e se ele continuasse, a cada toque, ela desejava outro, e esse toque fazia-a, nesse instante, esquecer aquele outro que na sua face lhe doeu amargamente, mas era só nesse momento. ******* Apesar de ainda há pouco Alberto a ter coberto de carícias, seria um elixir ouvir a voz da mãe. Precisava de ouvir a voz da sua mãe, para tranquilizar. Pela primeira vez tinha saudades do seu regaço. Se pudesse, naquela hora, o que lhe saberia melhor era falar com ela pessoalmente, pousar a cabeça no seu colo, contar-lhe os seus problemas e sentir os afagos que ela lhe costumava fazer no cabelo, quando era mais menina. Mas nunca contaria à mãe o que se passava entre ela e o marido, não ia preocupá-la com os seus problemas.

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AGORA CONTO EU

AGORA CONTO EU

NARRATIVA ROMÁNTICA204 pág.ISBN 9789897366260

Carlos estava feliz pelo seu rapaz e não resistiu a festejar com os amigos do trabalho e, depois, com os da terra, apanhando uma bebedeira tal que, quando chegou a casa, não conseguiu tomar conta da filha, de quem forçosamente teria de cuidar, já que a mãe estava na maternidade e a avó só cuidava dela durante o dia. Esta, já com 5 anos, estava em casa quando o pai entrou e, apesar da idade, viu bem o desarranjo em que se apresentava. Não era a primeira vez. Ouviu-o falar e cantar até que lhe apeteceu, sem entender nada do que dizia. Viu-o atirar-se vestido para cima da cama e adormecer rapidamente, sem lhe dar qualquer importância. Era como se ela não existisse. Beatriz já o conhecia de outras vezes e assim, mesmo sem comer, recolheu-se no seu quartito frio e desaconchegado com um naco de pão na mão e lá ficou até que, de manhã, a avó apareceu e lhe contou que ela já tinha um irmãozito. Beatriz não gostou da ideia de ter esse irmão. Por causa dele, o pai não lhe tinha dado atenção, nem jantar, não falara nada com ela, e fizera tanto barulho toda a noite que a assustara. Ela, como era forte e destemida, comera um pedaço de pão e refugiara-se no que considerou um castigo. De manhã, Carlos ainda dormia vestido em cima da cama. Naquele dia não foi trabalhar. A avó, sem o acordar, pegou na menina e levou-a com ela, sempre a balbuciar: ? Volta sempre ao mesmo, não vai ter cura se não se internar. Teimoso como um burro. É sempre a mesma coisa, não tem emenda. Já sei como é, não tenha eu lá um exemplo em casa. A minha filha vai ter um tormento, ai, isso vai. ? Que vais a dizer, avó? ? Olha, vou a dizer que me valha Deus, que se não for Ele ninguém nos pode acudir, nem a mim, nem à tua mãe, nem ao teu pai, nem ao mundo, porque está tudo perdido.

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