Jacques Derrida
Sus libros

Espectros de Marx
«Será sempre uma falta não ler e reler e discutir Marx. Quer dizer, também alguns outros – e para além da «leitura» ou da «discussão» de escola. Será cada vez mais uma falta – uma falta à responsabilidade teórica, filosófica, política. Uma vez que a máquina de dogmas e os aparelhos ideológicos «marxistas» (Estados, partidos, células, sindicatos e outros lugares de produção doutrinal) estão em vias de desaparição, não temos mais desculpa, somente alibis, para nos desviarmos desta responsabilidade. Não haverá porvir sem isso. Não sem Marx – não há porvir sem Marx. Sem a memória e sem a herança de Marx: em todo o caso, de um certo Marx, do seu génio, de pelo menos um dos seus espíritos. Porque, tal será a nossa hipótese, ou antes o nosso parti pris: há mais de um, deve haver mais de um.» J. Derrida, Espectros de Marx, p. 39 «O trabalho de leitura dos textos de Marx não é o que mais conta. […] O que é mais actual, o que me levou a levantar o tom, na forma de uma tomada de posição política, é a impaciência crescente que sinto, e que creio não ser o único a sentir, diante desta espécie de consenso, ao mesmo tempo, eufórico e caricatural que invade todos os discursos. […] Toda a referência a Marx se tornou de certa maneira maldita. Pensei que havia nisto uma vontade de exorcismo, de conjuração, que merecia ser analisada e que merecia também que nos insurgíssemos. De uma certa maneira, o meu livro [Espectros de Marx] é um livro de insurreição. É um gesto aparentemente intempestivo, que vem a contratempo. Mas a ideia de contratempo está no coração do próprio livro. […] E, o que se espera sempre que se faz um gesto a contratempo, é que ele chegue a tempo, no momento em que se o sente necessário.» J. Derrida in "Le Nouvel Observateur", 21 de Outubro de 1993.

A Besta e o Soberano
«O seminário intitulado «A Besta e o Soberano» foi o último dos leccionados por Jacques Derrida na École des Hautes Études en Sciences Sociales (EHESS), em Paris, do Outono de 2001 à Primavera de 2003 […] «Prosseguimos investigações que nos anos precedentes […] nos tinham conduzido a estudar a soberania, a história política e onto-teológica do seu conceito e das suas figuras. Este ano, privilegiámos deliberadamente o que entrelaçava esta história com a de um pensamento do vivente (do biológico e do zoológico), mais precisamente com a do tratamento da vida dita animal em todos os seus registos (caça e domesticação, história política dos parques e jardins zoológicos, criação, exploração industrial e experimental do vivente animal, figuras da «bestialidade», da «bestice»[«bêtise»], etc.). […] No horizonte constante do nosso trabalho, estão as questões gerais da força e do direito, do direito e da justiça, do «próprio do homem» e da interpretação filosófica dos limites entre o que se chama o homem e o que, abusivamente e no singular geral, se chama o animal.» A Besta e o Soberano, p. 13-14
