João Sevivas
Sus libros

VOZES IMPRESSAS
Todas as coisas do mundo conduzem a um encontro ou a um livro. Jorge Luís Borges

POESIA 2020
A poesia de João Sevivas é única no atual universo literário. Mesmo quando utiliza o verso solto, a musicalidade dos seus poemas agrega uma densidade onde cada palavra, som e cada imagem bailam nos nossos sentidos, prendendo-nos à entusiástica magia de estarmos vivos. Abana-nos, interpela-nos, agita-nos e nunca mais seremos os mesmos após a leitura dos seus poemas. Este livro, que tive o privilégio de editar, é de uma exuberante polissemia, mas de fácil leitura, límpido e transparente, sem deixar de ser profundo na exigência de refletirmos sobre os principais problemas que a humanidade enfrenta nos nossos dias. A sua poesia não é nem superficial nem prosaica, ela alimenta-nos, faz-nos crescer, é atual e criativa, nascida das vivências e da atenção de um homem preocupado com os outros e do seu cantar, como ninguém, a nossa própria epopeia.

TEATRO 2020
oriente médio: - Não queremos um nascer do sol à medida do despertar de quem nos tira o sono. - A guerra não nos quer, a europa não nos quer. Somos os novos leprosos do século vinte e um e andamos todos no mesmo mar. Andamos de um lado para o outro, nunca sabemos de onde vem o vento. Nisso a europa é parecida contigo, para ela não há passado. espinhos: - Quem não nos respeita o corpo não merece possuir-nos a alma. - Não sei se vais matar ou ser morta, sei é que a violência é uma cobra venenosa que tu afagas no peito, pronta para te picar. enxurradas: - Uma parte de mim foi pela enxurrada. Não sei porquê, mas a terra deixou de ser segura. O chão desapareceu para sempre. - Uma mulher não deve nunca mendigar afetos. Não se deve pedir o que é nosso. Que se enfeite quem que se queira enganar e que estenda a mão quem não tenha nada para dar. Não é o meu caso. Eu mendiguei o que sempre andei a dar. monstro: - É terrível sentir a ternura disfarçada de quem não nos ama. - A chuva é como esta minha culpa, deixa sempre marcas nos corpos de quem me aproximo. anjo: - Sou imensamente feliz, liberta de ti e de todos os que se veem ao espelho espreitando as silhuetas das vidas alheias. - O povo gosta de criar fantasmas para não ter de combater quem o explora.
