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Maurício  Silva

Maurício Silva

Viajar ensinou-me que o mundo raramente se revela a quem apenas o atravessa. É preciso permanecer disponível ao inesperado, escutar quem encontramos pelo caminho e aceitar que algumas das maiores descobertas não têm coordenadas. Ao longo destas páginas, as estradas conduzem-me por geografias diferentes, mas são as histórias humanas que lhes dão profundidade. Encontro pessoas que carregam perdas sem terem perdido a esperança, outras que fizeram da adversidade uma forma de coragem e algumas que, num breve cruzar de caminhos, deixam perguntas que continuam comigo muito depois da despedida. Aprendi que nenhuma paisagem é tão simples como parece e nenhuma vida pode ser compreendida pelo lado de fora. Atrás de uma janela iluminada, de um rosto anónimo ou de uma conversa aparentemente banal pode existir um universo inteiro que desconhecemos. Por isso, estas páginas não procuram mostrar apenas onde estive. Procuram contar aquilo que os lugares e as pessoas fizeram em mim. Há humor, inquietação, encontros improváveis, contradições, afetos e momentos em que viajar deixa de ser movimento para se transformar em consciência. Quanto mais mundo conheci, menos certezas trouxe comigo. Talvez seja essa uma das maiores virtudes de partir: perceber que compreender é mais importante do que julgar e que viver exige alguma coragem para abandonar as verdades que julgávamos definitivas. E, por vezes, é preciso percorrer milhares de quilómetros para descobrir que a distância mais importante é aquela que conseguimos colocar entre quem fomos e quem ainda podemos ser. Maurício Lago Silva

Su libro

Viagens à volta do mundo – Tomo 2

Viagens à volta do mundo – Tomo 2

Sociolingüística320 pág.ISBN 9789895863907

Nenhuma vida pode ser compreendida pelo lado de fora.

Viajar nunca foi, para mim, uma forma de fugir. Foi sempre a maneira mais honesta de regressar ao essencial.

Ao longo destas páginas, percorro cidades, estradas e fronteiras, mas é nas pessoas que verdadeiramente me detenho. Algumas surgem por breves instantes e desaparecem para sempre. Outras deixam marcas invisíveis que sobrevivem muito depois de o mapa mudar.

Há encontros que desarmam preconceitos, silêncios que dizem mais do que qualquer monumento e lugares onde a beleza não vive apenas na arquitetura ou na paisagem, mas na fragilidade, na coragem e nas histórias de quem os habita.

Este livro não é um guia de viagens. É um convite para olhar o mundo com menos pressa, aceitar o inesperado e descobrir que cada destino transporta muito mais do que aquilo que aparece nas fotografias. Entre o humor, a surpresa, a crítica social e a emoção, cada capítulo recorda-nos que viajar também é aprender a escutar, a questionar e, por vezes, a mudar.

No fim, compreendi que as maiores distâncias não se medem em quilómetros, mas pela transformação silenciosa de quem parte sem saber exatamente o que procura e regressa diferente, sem conseguir explicar onde começou essa mudança.

Porque, no fundo, nunca viajamos apenas para conhecer o mundo. Viajamos para perceber quem somos quando o mundo nos obriga a olhar para nós próprios.

Maurício Lago Silva