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Sebastião Panzo

Sus libros

ETERNO SONHADOR

ETERNO SONHADOR

FICCIÓN MODERNA Y CONTEMPORÁNEA102 pág.ISBN 9789897791208

Cresci mudo, calado e não ouvia o som da minha voz. Busquei a mímica como opção, mas a mímica e as tentativas posteriores foram incapazes de contornar a situação. Cresci mudo, e na mudez passei por um ser insignificante. Na mudez não podia opinar sobre as transformações devastadoras a que a humanidade se submetia, não podia declarar-me nas paixões que prendiam a minha respiração, como não conseguia fazer uma vénia a quem merecia a minha admiração. Na mudez limitei-me em crescer, e ao crescer, a sincronia da dor e sofrimento era algo inevitável. Cresci, e mesmo crescido, continuava incapaz de comunicar-me. Cresci e conformei-me estático na minha zona de conforto. Por ironia do destino, no silêncio, resolvi gritar numa folha de papel, e para o meu espanto, cheguei a mil trezentos e trinta watts de som, em pleno silêncio, sem poluir a essência sonora. Daí que nada mais podia fazer, a não ser embarcar no maravilhoso mundo da escrita, por ser o veículo perfeito para elevar a minha voz, e por permitir-me ir além dos mil trezentos e trinta watts de som, sem poluir o silêncio no silêncio.

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ÁGUA PÉ, CASTANHAS E LETRAS

ÁGUA PÉ, CASTANHAS E LETRAS

POESÍA114 pág.ISBN 9789897792861

Provérbios populares sobre o S. Martinho No dia de S. Martinho, vai à adega e prova o vinho. No dia de S. Martinho, castanhas, pão e vinho. Dia de S. Martinho, lume, castanhas e vinho. Pelo S. Martinho, todo o mosto é bom vinho.

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SENTIDOS DESPERTOS

SENTIDOS DESPERTOS

POESÍA178 pág.ISBN 9789897793295

Ser Poeta Ser poeta é ser mais alto, é ser maior Do que os homens! Morder como quem beija! É ser mendigo e dar como quem seja Rei do Reino de Aquém e de Além Dor! É ter de mil desejos o esplendor E não saber sequer que se deseja! É ter cá dentro um astro que flameja, É ter garras e asas de condor! É ter fome, é ter sede de Infinito! Por elmo, as manhãs de oiro e cetim… É condensar o mundo num só grito! E é amar-te, assim, perdidamente… É seres alma e sangue e vida em mim E dizê-lo cantando a toda a gente! (Florbela Espanca, «Charneca em Flor», in «Poesia Completa»)

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