Como Dominique de Villepin soube salientá-lo, Jacques Derrida (1930-2004) é «o autor de um pensamento novo: um pensamento ditado e magnetizado por um racionalismo incondicional cuja démarche, eminentemente exigente, afirmativa, corajosa, justa e criativa, não des-constrói, sem nunca destruir, senão para, ao ritmo de cada passo do seu assumido «pas au-delà», ao ritmo de cada aqui-agora, tentar ir sempre mais longe e de modo crescentemente sempre também mais justo, respondendo à incondicionalidade da injunção do que acontece. Com efeito, ditada e magnetizada pela confessa paixão derridiana pelo «segredo a-b-s-o-l-u-t-o» – sintoma do algures absoluto relativamente à ocidentalidade filosófico-cultural (embora ainda nela: epekeina tes ousias, khôra, …), que põe em questão a archê plena e, portanto, a crença na principialidade, na mono-genealogia e no identitarismo – , a Desconstrução é, de facto, um pensamento novo testemunhado numa obra imensa que, na tão sombria desorientação dos tempos que vivemos, tão urgentemente necessário me parece e cujo timbre eu muito desejaria lograr fazer ressoar aqui, salientando a coragem e a exigência da sua singular ir-responsabilidade – bem como da do próprio pensamento segundo este pensamento: o timbre de um «canto novo» epekeina tes ousias e, ipso facto, epekeina tes filosofias […] – um canto que, pressupondo um novo re-começar para a filosofia e uma nova inspiração ou como que «fundação» para o instituído em geral, solicita, a meu ver, nada mais, nada menos, do que a urgência de uma nova atitude da filosofia e uma mutação cultural e, mesmo, civilizacional.» (p. 235-236)
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