
Cecília Barreira
Cecília Barreira, professora
na FCSH-NOVA e investigadora
no CHAM, Centro de Humanidades,
lança-se agora no domínio das
short stories.
Tem publicado livros de ensaio
e poesia.
Esta incursão pela prosa pretende
ser um olhar diferente do habitual.
Entre o cruel e o sarcástico.
Sus libros

DESVARIOS E ERROS MEUS
«O amor como leitmotiv é apresentado em movimento dialético e ascensional que parte do corpo para as ideias, do concreto ao abstracto, percorrendo os diversos poemas com uma energia tão viva e cativante como também paralisante e perturbadora. Assim sucede porque neste retrato totalizante do amor a autora não esquece Eros e Thanatos, as duas pulsões básicas: Eros que sintetiza as pulsões de vida, da líbido, mas também da criação e da cooperação e Thanatos como desejo inconsciente de morte presente na violência destemperada da paixão, no ciúme eterno e no erotismo do irresistível. Deixemos então que estas forças ancestrais, que nos constituem, nos percorram a pele com a sua força magnética, nós que estamos sempre a meio-caminho... deixemo-nos precipitar neste abismo de irremediável saudade cósmica, pois isso é talvez o máximo que podemos ainda ter: talvez aí resida o lugar da revelação que não é mais do que o desocultar... do que sempre esteve aí em grande silêncio e segredo…» in Prefácio de Teresa Lousa

Voando Sobre um Ninho Fêmeo
Perguntaram-me sobre a verdade e eu só soube dizer, tal como diz a poeta, que não amei ninguém depois do teu corpo que nunca me restabeleci na ausência dos teus braços que nunca mais me perdi nos meandros da tua humidade que o meu amor é um antes e um depois de te encontrar Perguntaram-me sobre a verdade e eu só soube dizer que as minhas linhas da mão te continham na inteireza que os sonhos se partilhavam contigo que as névoas eram harmonias na tua presença e tu eras cúmplice de harmonias do noite e dia Perguntaram-me sobre a verdade e eu só soube dizer (…) in «Voando sobre um ninho fêmeo», de Cecília Barreira

Vulcão
Se fosses mar eras a fundura do mediterrâneo, Se fosses terra, eras a planura do deserto, Se fosses incêndio, eras a plenitude do encoberto, Como és vulcão, reúnes os fogos de bocas das sombras e perfumes, Como és vulcão, demoras-te nas dunas e nos azuis, Como incendeias o desejo e as disforias, és matéria de deuses e de altania, Como disfrutas as ilhas, Preenches as linhas do impreciso e do inautêntico, Inabitavelmente, Vulcão eterno. Cecília Barreira

Sangue, Suor & Lágrimas
Ao abrir «Sangue, Suor & Lágrimas» está, ao mesmo tempo, a abrir uma porta para o inferno do proibido e do psicótico, do bizarro ao serial killer, do ciúme à loucura. Tal como diz Nabocov: «Eu sei que o meu cérebro está condenado, que o terror que senti por uma vez, o medo irresistível de existir, algum dia me alcançará de novo ― e então não haverá salvação.» (Nabocov, 1996)

Contos da Infâmia dos Dias
Ao abrir Sangue, Suor & Lágrimas está, ao mesmo tempo, a abrir uma porta para o inferno do proibido e do psicótico, do bizarro ao serial killer, do ciúme à loucura.
Tal como diz Nabocov: «Eu sei que o meu cérebro está condenado, que o terror que senti por uma vez, o medo irresistível de existir, algum dia me alcançará de novo ¿ e então não haverá salvação.» (Nabocov, 1996)
